Citação indireta

A citação indireta, também conhecida como paráfrase, é quando a ideia do(a) autor(a) lido(a) é incorporada ao seu texto a partir de suas próprias palavras e não mais das palavras desse(a) autor(a). Ou seja, na citação indireta, você “traduz” a ideia do(a) autor(a) com os seus próprios termos, sem jamais alterar ou deturpar o que foi dito originalmente. Essa “tradução” (citação indireta) deve ser sempre devidamente acompanhada da identificação da fonte, isto é, a informação que inclui o sobrenome do(a) autor(a) e o ano da publicação a que se refere sua paráfrase.

Especificamente no caso da paráfrase, pode-se em certos casos não informar a página. Isso ocorre quando a ideia parafraseada pertence ao todo da obra consultada. No entanto, se a paráfrase for de uma ideia presente em uma parte específica e peculiar do texto, sugere-se informar a página, mesmo que não haja citação direta.

O objetivo da paráfrase é expressar uma certa ideia de um(a) autor(a) de um modo mais acessível, uma linguagem de mais fácil compreensão. Nesse sentido, a paráfrase nunca pode obscurecer a ideia do(a) autor(a) parafraseado(a); ao contrário, essa citação indireta mostra que quem parafraseia entende o conteúdo corretamente e, assim, consegue colocá-lo em seus próprios termos.

Os tipos de paráfrase geralmente aceitos na escrita acadêmica não incluem a mera reprodução, que é o tipo no qual se substitui as palavras por meros sinônimos. Na escrita acadêmica, as melhores formas de parafrasear incluem: a) fazer um comentário explicativo, que apresenta as ideias do(a) autor(a) e as explana, desenvolvendo conceitos e providenciando esclarecimentos; e b) fazer um desenvolvimento ou ampliação das ideias do original, com o acréscimo de exemplos ou o estabelecimento de comparações e contrastes, relações de causas e consequências, etc.

Vejamos um exemplo*:

Texto original do autor consultado: “É necessário ainda reconhecer que a complexa realidade brasileira traduz um alarmante quadro de exclusão social e discriminação como termos interligados a compor um ciclo vicioso em que a exclusão implica discriminação e a discriminação implica exclusão. Nesse cenário, as ações afirmativas surgem como medida urgente e necessária” (PIOVESAN, 2005, p. 52).

Possível paráfrase: Conforme defendido por Piovesan (2005, p. 49), no caso do Brasil, as ações afirmativas são importantes para resolver os problemas que surgem da forte relação entre exclusão social e discriminação, já que um processo leva ao outro.

*Fonte: PIOVESAN, F. Ações afirmativas da perspectiva dos direitos humanos. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 35, n. 124, p. 43-55, jan./abr. 2005.

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