Resultados e discussão

Após apresentar o método, seu texto deve trazer os resultados de sua pesquisa e uma discussão sobre eles.

Existem diversos textos acadêmicos que separam o resultado e a discussão em seções distintas. Outros já unem as duas seções em uma só. A decisão sobre qual dessas duas formas usar para seu texto vai depender, geralmente, do tipo de resultados a serem apresentados e de como você acha que será mais claro discuti-los. Por exemplo, se em seus resultados há a necessidade de apresentar diversos dados numéricos complexos, pode ser melhor separar as seções. Já se você acha que pode esclarecer os motivos de certos resultados enquanto os apresenta, pode ser uma boa ideia juntá-las. É sempre aconselhável tomar essa decisão em conjunto com seu(sua) orientador(a) e de acordo com a literatura na sua área.

Resultados:

Em uma pesquisa quantitativa, os resultados geralmente incluem:

  • apresentação dos resultados de estatística descritiva de suas análises (podem-se usar números, tabelas e/ou gráficos);
  • apresentação dos resultados de estatística inferencial de suas análises (podem-se usar números, tabelas e/ou gráficos)*;
  • explicação sobre os seus resultados, indicando (sem números) como eles podem ser interpretados com relação às perguntas de pesquisa e/ou hipóteses.

O exemplo** abaixo, retirado de um estudo quantitativo-qualitativo sobre violência urbana e capital social em uma cidade do sul do Brasil, ilustra bem esses passos, ao mostrar seus dados quantitativos:

As prevalências de violência referida nos últimos 6 meses foram: discussão violenta (17,1%; IC95%: 15 a 19,4), roubo ou assalto (42,8%; IC95%: 39,9 a 45,7), caso com drogas (32,4%; IC95%: 29,7 a 35,2) e homicídio (8,4%; IC95%: 6,9 a 10,2) (tabela 1).

A tabela 2 mostra a relação entre capital social e violência urbana referida. Maiores prevalências de todos os indicadores de violência foram encontradas nos locais com baixa confiança e menor controle social informal na vizinhança. Os locais cujos residentes relataram baixa confiança entre vizinhos possuíam cerca de 3 vezes maior prevalência de discussão violenta quando comparados aos setores com alta confiança.

As pessoas que relataram baixo controle social informal possuíam uma prevalência duas vezes maior para homicídios e para discussão violenta quando comparadas com aquelas que relataram alto controle (tabela 2). Do mesmo modo, aqueles que relataram baixo apoio social mencionaram uma ocorrência duas vezes maior de discussões violentas entre vizinhos (RP = 2,14; IC95%: 1,10 a 4,74; P < 0,001) (tabela 2).

Em uma pesquisa qualitativa, os resultados geralmente incluem:

  • temas ou tópicos recorrentes encontrados na análise dos dados;
  • números e/ou porcentagens identificando o quão representativos são esses temas ou tópicos (exemplo: quantos participantes falaram sobre determinado assunto);
  • exemplos ilustrando cada um dos temas (exemplo: incluir uma citação direta de algum participante sobre determinado tema encontrado);
  • representações gráficas dos resultados (exemplos: tabelas, mapas conceituais, etc.), em alguns casos;
  • indicações sobre como os dados podem ser interpretados.

Veja o exemplo a seguir, do mesmo estudo citado anteriormente (agora mostrando os resultados qualitativos):

Entre as 11 pessoas selecionadas, cinco pertenciam ao local com maior capital social e seis ao local com menor capital social (tabela 3).

Os resultados qualitativos foram agrupados por semelhança e também divergências de informações. Por exemplo, a confiança e o controle social informal ambos estabeleceram relações de proximidade; por isso, os dois construtos puderam ser analisados tanto separadamente quanto em conjunto. Os participantes demonstraram haver uma aproximação entre cuidar do bem material privado, como a casa, por exemplo, com o sentido de controle social informal.

Esse controle, por sua vez, foi entendido também como atitude de confiança. Ágatha, 22, disse que “aqui um sai o outro toma conta. Aqui sim, aqui está bom de morar. Quando a gente sai a gente pode ter confiança que vai cuidar”. Já Bernardo, 70, falou dessa situação como uma atitude superficial, onde “às vezes um sai o outro dá uma reparada”, e ressaltou a falta de resultado: “o senhor vê os muros ali, tudo riscado. Ali do meu vizinho pintou esses dias, riscaram tudo”. Embora o controle social tenha sido identificado nos dois setores, existem descontinuidades entre as idéias de ‘cuidar’ e de ‘dar uma reparada’.

Discussão:

Na discussão, procura-se explicar os motivos que levaram aos resultados observados e suas implicações, assim como a maneira como eles contribuem para a literatura acadêmica na área. O exemplo abaixo, mais uma vez do mesmo estudo já citado, ilustra um trecho de uma discussão bem elaborada:

Os resultados encontrados no presente estudo sugerem que quem mais buscava melhorias para seu local de moradia e possuía maior ação social referiu mais violências. O espaço da micropolítica é o espaço comunitário que, através das relações sociais, possibilita o empoderamento dos sujeitos e a construção de redes sociais. Isso indica que quem participa mais tende a ter um grau de empoderamento maior, pois a participação permite um olhar crítico da realidade, um saber pronunciar-se a respeito de questões sociais como, por exemplo, a violência. É possível afirmar, nesse sentido, que o empoderamento seria a primeira condição para que a pessoa se aproprie da importância do viver em sociedade.

*Para mais sobre pesquisas quantitativa (incluindo questões de estatística) e qualitativa, consulte manuais sobre metodologia de pesquisa científica. Algumas sugestões estão listadas aqui.

**Fonte: VIAL, E. A. et al. Violência urbana e capital social em uma cidade no sul do Brasil: um estudo quantitativo e qualitativo. Rev. Panam. Salud Publica, Washington, DC, v. 4, n. 28, p. 289-297, 2010.

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