Método

O método é a seção onde se explica, de forma detalhada, os passos tomados para a execução da pesquisa. Aqui, o foco recai principalmente nos instrumentos (ou seja, o que foi usado para levantar os dados, como entrevistas, questionários, testes, etc.), na coleta de dados e em como esses dados foram analisados.

Em uma pesquisa das ciências sociais que tenha envolvido sujeitos humanos, por exemplo, isso incluiria informações sobre quantos participantes foram contactados, o motivo desses sujeitos em particular terem sido escolhidos, quantos responderam ao contato, quantos foram efetivamente entrevistados(as) (ou responderam a um questionário, etc.), algumas informações demográficas gerais sobre eles(as) (faixa etária, classe social, sexo, etc.), entre outras. No caso de uma pesquisa que usou entrevistas como instrumento, também incluiria quanto tempo elas duraram (em média), quantas perguntas foram feitas e que tipo de entrevista foi realizada (estruturada, semiestruturada). Finalmente, haveria também que incluir como foi feita a análise dos dados.

Em algumas outras áreas, como nas ciências médicas e nas engenharias, já existem métodos e práticas mais padronizadas, seguindo protocolos mais específicos. Mesmo assim, é importante detalhar os seus métodos, dizendo, pelo menos, quais foram os protocolos seguidos.

Independente da sua área de estudo, não esqueça de justificar cada uma das escolhas que você fez, com base principalmente nos objetivos da sua pesquisa e em métodos de pesquisas anteriores.

Vejamos um exemplo* de 2 partes de uma seção do método de um artigo na área de informática em saúde, cujo objetivo era avaliar a disseminação e o impacto de aplicativos móveis voltados para a saúde:

Para elaboração da lista de aplicativos móveis relacionados à área da Saúde, que contempla os sistemas operacionais Android (Google), iOS (Apple) e Windows Phone (Microsoft), foram realizadas buscas, cujos critérios estão descritos a seguir, nas lojas de aplicativos online Google Play, App Store e Marketplace.

[autores detalham como foram encontrados e catalogados os aplicativos de cada uma dessas plataformas]

Encerrado   o   preenchimento   da   lista,   os   aplicativos   foram   classificados   em   ordem decrescente pelo número de avaliadores seguido de sua respectiva nota. Então, foram selecionados os mais bem avaliados e calculados seus índices de popularidade através da multiplicação, para cada aplicativo, da nota pelo respectivo número de avaliadores. Devido à constante alteração desses valores (notas e avaliadores), a lista é atualizada a cada 15 dias.

Na primeira parte, os autores explicam como coletaram os dados, e na segunda, como os analisaram. Tudo é feito de forma simples e direta, mas fácil de entender e, se necessário, de replicar em estudos futuros. Nossa recomendação é que você preste atenção a métodos de diferentes estudos na sua área, de modo a se familiarizar com a forma como eles são escritos.

Outras dicas importantes:

  1. A terminologia usada nessa seção tem que ser clara e precisa. Se houver termos importantes que ainda não tenham sido definidos até aqui, defina-os. Na verdade, mesmo que eles já tenham sido definidos antes, pode ser uma boa ideia lembrar ao leitor de sua definição. Exemplo: “Como afirmado anteriormente, o termo YYYYY foi compreendido aqui como . . . “;
  2. Pode ser útil dividir o método em subseções de acordo com cada uma das escolhas que tiveram que ser feitas;
  3. Não assuma que seu leitor sabe algo. Na dúvida, detalhe cada procedimento ao máximo possível. É importante ter em mente que muitas vezes o método serve não só para explicar o que foi feito, mas para que possíveis pesquisadores e pesquisadoras que queiram replicar seu estudo possam seguir seus passos precisamente.

*Fonte: BONOME, K. S. et al. Disseminação do uso de aplicativos móveis na atenção à saúde. In: CONGRESSO BRASILEIRO EM INFORMÁTICA EM SAÚDE, 13., 2012, Curitiba. Anais..Curitiba: Sociedade Brasileira de Informática em Saúde, 2012, s. p.

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