Introdução

Uma introdução adequada de um texto acadêmico deve apresentar, pelo menos, os seguintes elementos:

  1. explicitação do problema, de forma contextualizada;
  2. objetivo(s);
  3. perguntas de pesquisa e/ou hipóteses;
  4. justificativa.

Abaixo, explicamos o que é cada um desses elementos.

Problema: 

Toda pesquisa acadêmica busca respostas relacionadas a um determinado problema.

Por exemplo: Em um estudo na área de contabilidade, Ponte e Oliveira (2004)* afirmaram que apesar de existirem orientações e instrumentos para garantir transparência e qualidade das informações de empresas brasileiras, tais orientações não eram obrigatórias, e, portanto, se alguma empresa não as seguisse devidamente, ela não seria necessariamente punida, como era de ser esperado. Aqui, temos um problema, ou seja, algo digno de ser investigado.

A introdução de um texto acadêmico apresenta esse problema. Note que é importante que o problema esteja bem contextualizado. Ou seja, é necessário situar o problema dentro de seus contextos geográfico, histórico, e/ou dentro da área específica da qual ele faz parte (por exemplo, dentro dos estudos sobre ensino e aprendizagem de uma língua adicional da linguística aplicada). Em alguns textos, esse contexto é explanado antes mesmo do problema em si.

Objetivo(s):

Além disso, a introdução explica quais foram os objetivos do estudo em vista do problema. É possível enunciar, separadamente, um objetivo geral e alguns objetivos específicos. O objetivo geral refere-se ao propósito maior da pesquisa, e o(s) específico(s) aos passos necessários para se chegar ao objetivo geral.

No exemplo dado acima, podemos dizer de forma breve que o objetivo geral das pesquisadoras foi o de determinar se as empresas brasileiras (no caso do estudo em questão, elas investigaram apenas sociedades anônimas) estavam seguindo as orientações necessárias para divulgação de informações contábeis. Já os objetivos específicos, segundo as próprias autoras, foram: “a) levantar as orientações emanadas dos órgãos específicos e da legislação brasileira sobre divulgação de informações contábeis não contempladas nas demonstrações tradicionais das sociedades anônimas; e b) verificar, nas demonstrações contábeis publicadas por amostra de sociedades anônimas, a presença das principais características das informações contábeis de natureza avançada e não obrigatória” (p. 9).

Perguntas de pesquisa e/ou hipóteses:

Com base nos objetivos, elaboram-se perguntas de pesquisa e/ou hipóteses. Tais perguntas ou hipóteses ajudam a manter a pesquisa clara e bem direcionada. A pergunta levantada pelas pesquisadoras de nosso exemplo foi a seguinte: “Qual o grau de observância às orientações sobre evidenciação contábil praticado pelas sociedades anônimas brasileiras no tocante à prestação de informações não contempladas nas demonstrações contábeis tradicionais, consideradas de natureza avançada e não obrigatória?” (p. 9).

Já sua hipótese foi que “se essas informações têm se mostrado cada vez mais necessárias para subsidiar as decisões dos usuários da Contabilidade, então elas devem estar sendo amplamente divulgadas pelas empresas” (p. 9).

É importante frisar que as hipóteses não são meros achismos. Elas têm que ser baseadas em fundamentos teóricos consistentes e pertinentes ao âmbito do estudo ou em estudos anteriores (e tais fundamentos e estudos anteriores têm que ser explicitados). Note que, no exemplo acima, a hipótese teve como base o aumento das necessidades pelas informações em questão.

Para aprofundar-se sobre hipóteses e perguntas de pesquisa (como formulá-las, que tipos existem, etc.), recomendamos que busque referências sobre metodologia de pesquisa (lembre-se que o nosso site é sobre a escrita acadêmica, e não sobre metodologia). Temos algumas sugestões desse tipo de referência aqui.

Justificativa:

Finalmente, uma coisa muito importante para qualquer pesquisa acadêmica é que ela seja bem justificada. Em outras palavras, é crucial que haja uma explanação sobre sua relevância. Ela pode vir logo após a afirmação do problema (ex. “Tal problema tem trazido sérias consequências para . . . , por isso . . .”), ou depois dos objetivos e/ou perguntas de pesquisa (ex. “O entendimento dessas questões nos serve para . . .”), ou em qualquer outro momento da introdução, contanto que não prejudique a coesão e coerência da mesma.

Outras considerações:

  1. É possível haver variações na ordem desses elementos, mas eles geralmente estão presentes em introduções bem elaboradas. O único deles que às vezes é excluído sem prejuízos maiores são as perguntas de pesquisa e/ou hipóteses, mas mesmo assim não aconselhamos deixá-las de lado, principalmente se você é novo(a) na escrita acadêmica.
  2. Alguns pesquisadores, especialmente em trabalhos mais extensos como teses e dissertações, também incluem um pequeno parágrafo no final da introdução, oferecendo um panorama da organização do estudo (algumas frases descrevendo o que cada seção ou capítulo subsequente tem a dizer). Por exemplo: “A próxima seção trata sobre . . . Em seguida, será exposta . . . “
  3. Quanto à extensão de cada elemento, geralmente se sugere, no caso de artigo acadêmicono mínimo um parágrafo para cada um deles. Já nos casos de TCC, monografiadissertação ou tese, essa extensão pode ser maior (cada elemento geralmente é um subitem do capítulo de introdução).

*Fonte: PONTE, V. M. R.; OLIVEIRA, M. C. A prática da evidenciação de informações avançadas e não obrigatórias nas demonstrações contábeis das empresas brasileiras. Revista Contabilidade e Finanças, São Paulo, v. 15, n. 36, p. 7-20, set./dez. 2004.

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